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            Roah era um artesão de mão cheia. Manipular a madeira era sua especialidade. Seu trabalho era reconhecido por muitas pessoas como um dos mais perfeitos que existiam. Sua fama viajava junto com os mensageiros, e chegava aos ouvidos de pessoas que moravam bem longe da vila de Roah.
            Certo dia, um misterioso idoso chamado Heliot entrou na vila onde esse caprichoso artesão morava. O velho trazia uma carruagem, escoltada por dez guerreiros contratados especialmente para protegerem uma misteriosa carga. Ele perguntava por Roah.
            Imaginando que o velho desejasse contratar seu trabalho, Roah atendeu-o prontamente.
            - Pois não, senhor. Sou Roah, o artesão que procura... em que posso ajudá-lo?
            - Finalmente eu o encontrei! Obrigado por me receber – disse o velho, sorrindo de orelha a orelha. - É um imenso prazer... é um imenso prazer... – repetia ele, ao pegar na mão de Roah e balançá-la animadamente.
            - Digo o mesmo – respondeu Roah com um sorriso amistoso.
            - Ouvi falar de sua capacidade em manipular a madeira, meu jovem. Como poucos seriam capazes neste mundo... sim, foi o que ouvi.
            - Gentil foi a pessoa que disse isso ao meu respeito. Apenas faço o meu melhor – respondeu Roah humildemente.
            - A pessoa não, Roah, mas sim, dezenas delas...
            Roah apenas sorriu novamente e balançou a cabeça.
            - Ouça, Roah. Vim de longe, pois acredito que somente você será capaz de me ajudar – falou o idoso homem olhando profundamente nos olhos do artesão.
            - Farei tudo que estiver em meu alcance, senhor.
            - Preciso de sua ajuda. Ou melhor, muitas vidas precisam de sua ajuda - disse o velho arregalando os olhos.
            Roah não entendeu. Devido seu silêncio, Heliot continuou:
            - Veja, eu era um artesão, e tinha uma missão. Mas não posso mais cumpri-la, justamente por isso...
            Heliot mostrou as mãos. Elas tremiam sem parar. Ele continuou:
            - Como vê, não tenho mais a firmeza que um artesão precisa para trabalhar. Eu sabia que um dia isso iria acontecer, assim como você sabe que um dia a idade lhe roubará a precisão que hoje possui nas mãos, tão importante para um artesão. Por isso, treinei por muitos anos um jovem, para que ele se desenvolvesse como artesão, e estivesse capacitado para me substituir nessa missão. Porém, ele machucou as mãos, e não poderá mais tornar-se um artesão com trabalho qualificado.
            - Entendo, senhor Heliot. Mas ainda não percebi onde quer chegar... – assumiu Roah, ao perceber que não era mais um simples trabalho que o velho pretendia lhe pedir.
            - Preciso que alguém continue minha missão. Preciso que você, Roah, continue minha missão – falou serenamente o velho.
            - Pois bem, conte-me qual é ela, para eu ver se conseguirei dar continuidade.
            - Melhor que contar... vou lhe mostrar... – disse Heliot, em tom de suspense. Virando-se, caminhando para perto de sua carruagem, e falando para os guerreiros que a escoltavam:
            - Por favor, senhores. Me ajudem a descarregar o baú...
            Com a autorização de Roah, os fortes homens levaram o grande baú para dentro de sua cabana, deixando-o a sós novamente com o velho Heliot.
            O jovem artesão ficou impressionado com a delicadeza e perfeição que aquele baú possuía. Todo em madeira, mas feito com diversos tipos que se misturavam, Roah não conseguia entender como alguém fora capaz de produzi-lo.
            - Neste baú encontra-se a missão que quero passar para você – disse Heliot, colocando a mão sobre a tampa. – A missão é cuidar do que está aqui dentro...
            Ao dizer isso, o velho abriu a tampa. Roah abriu a boca de espanto com o que vira. O baú não tinha fundo. Roah estava tendo uma visão superior de um vilarejo, como se estivesse no céu. Lá embaixo, haviam cabanas e outras construções, além de pequenos pontos que se moviam.
            - Mas... mas... – balbuciou o surpreendido artesão.
            - Veja, Roah. – disse Heliot, enfiando a mão no baú e apontando o dedo indicador para o vilarejo. Era como se eles dois estivessem voando para mais perto do solo. – Tente você. – falou Heliot sorrindo.
            Acanhado e maravilhado ao mesmo tempo, Roah fez o mesmo. Ao apontar o dedo indicador, viu que a visão deles se aproximava mais ainda do vilarejo abaixo. Viu que pessoas e animais andavam lá dentro, calmamente. De boca aberta, perguntou:
            - Senhor Heliot... o que significa isso?
            - Significa que tem um pequeno mundo aqui dentro, Roah. É apenas um vilarejo, com algumas poucas vidas, mas você verá o quanto esse pequeno mundo é especial e mágico. A missão que quero passar para você é cuidar deste mundo.
            - Isso tudo é fantástico e fascinante. Mas... cuidar deles? O que preciso fazer? E por que eu?
            - Aproxime-se mais do vilarejo. Veja um dos seus habitantes de perto para entender porque a missão de cuidar deles tem de ser de um artesão caprichoso como você.
            Empolgado, foi o que Roah fez. Ele apontou o dedo para um dos seres que andavam pelo vilarejo e ao aproximar-se dele, percebeu que ele nada mais era que um pequeno boneco de madeira com vida. Roah não percebeu, mas de tão bonito e bem feito, lindo e vistoso que era o boneco, seus olhos encheram-se de lágrimas.
            - Eles são feitos de madeira, como pode ver – disse Heliot sorrindo. – Com o passar do tempo, eles precisam de reparos, para continuarem a viver. Alguns estão presos em suas cabanas, avariados, esperando por reparo. Acredito que somente você pode ajudá-los, meu jovem. Eu não mais consigo, pois minhas mãos, como expliquei, não possuem mais a firmeza necessária para repará-los sem correr o risco de quebrá-los mais ainda, ou de mantê-los lindos como são.
            Roah ficou abismado. Após receber mais instruções de Heliot para aprender a mover-se voando pelo mundo, percebeu que tudo, exatamente tudo naquele mundo minúsculo e riquíssimo em detalhes, era feito de madeira, inclusive o chão, as plantas, as árvores, as pedras, e tudo mais. Os bonecos tinham a forma de humanos ou animais, e eram extremamente bonitos.
            Heliot também ensinou Roah a realizar os reparos nos bonecos. Eles podiam ser pegos com a mão, e retirados do baú, mas perdiam a vida quando isso acontecia. O reparo só podia ser feito fora do baú, utilizando uma madeira específica, e trabalhando com ferramentas que Heliot entregara a Roah. Ao colocar o boneco novamente dentro do baú, ele voltava a se mover. Uma advertência foi feita pelo velho: o baú nunca poderia ser fechado quando algum boneco estivesse fora dele, em manutenção. Se isso acontecesse, os bonecos perderiam a vida imediatamente, pois o vínculo entre os dois mundos seria cortado com o fechar da tampa.
            Os bonecos não viam os artesões, e não se comunicavam oralmente entre eles. Aquele mundo era sereno, e seus moradores levavam suas vidas calmamente.
            Muitos outros detalhes daquele minúsculo vilarejo e de seus habitantes foram passados para Roah. E no fim, o jovem artesão aceitou continuar com a missão de Heliot, em cuidar daquele pequeno mundo mágico.
            Uma observação em especial foi feita por Heliot. Ele mostrou a Roah um boneco, com aparência de nobre, que estava sempre inerte. Ele disse que aquele boneco era especial e que cedo ou tarde ele acordaria, e que ele estava predestinado a ser o rei de todos os outros bonecos daquele mundo. Heliot também disse que não sabia o motivo, mas que aconteceria, pois assim havia sido informado. Roah compreendeu, e disse que ficaria atento e ansioso para que o boneco acordasse.
            Uma única dúvida de Roah não teve uma resposta do velho: Como aqueles bonecos que cabiam na palma de sua mão ganhavam vida? Heliot disse que essa pergunta ele não sabia responder, mas que certamente era de alguma forma mágica, que havia acontecido antes de Heliot herdar o baú de seu mestre, que lhe ensinara a arte da manipulação da madeira e lhe incumbira da missão que estava passando adiante.
            Essa missão, Roah também deveria passar adiante quando chegasse a hora. Outro artesão, cuidadosamente escolhido, deveria ser muito bem orientado para cuidar do mundo dentro do baú.
            Por fim, Heliot partiu, levando sua carruagem e seus dez guerreiros. Roah estava perdido em pensamentos relacionados a essa sua nova e curiosa missão, quando alguém bateu em sua porta.
            Roah atendeu. Era um jovem, que olhava assustado as suas costas, parecendo ter medo até da própria sombra. Num sussurro, ele perguntou:
            - Artesão Roah?! Posso entrar? – disse ele apressado. - Prefiro que ninguém me veja conversando com você.
            Mesmo achando estranho o súbito aparecimento do rapaz mal vestido e sujo, Roah achou que ele parecia ser uma boa pessoa. Após analisar os olhos assustados do garoto, abriu a porta e gesticulou para que entrasse.
            - Quem é você? E o que deseja?
            - Me chamo Vinuto. Eu era o aprendiz de Heliot há pouco tempo atrás. Vi que ele foi embora há pouco... e creio que deixou o baú para que você cuidasse do pequeno mundo que ele lhe mostrou.
            - Sim – respondeu Roah achando tudo aquilo estranho, mas não sentindo ameaça nenhuma vinda do rapaz a sua frente. - O baú está comigo e decidi continuar com a missão dele... mas por que está agindo sorrateiramente?
            - Heliot tentou me matar. Estou tendo cuidado para que ele não me veja, e muito menos, que perceba que eu o segui para tentar salvar as almas das pessoas e animais que estão presas dentro do baú.
            Roah assustou-se e perguntou indignado:
            - Almas presas? Que historia é essa?
            - Sim... Heliot criou esse pequeno mundo, e para que ele ganhasse hospedes, sacrificou algumas vidas inocentes que estão presas dentro daqueles bonecos de madeira. Descobri isso tudo por que vi ele criando um boneco e sacrificando um animal para dar vida ao objeto de madeira dentro do baú. Desisti tornar-me um artesão para cuidar do mundo que ele havia criado quando percebi isso. Foi quando ele tentou me matar, e prender minha alma também dentro de um boneco.
            - Vinuto... isso tudo parece loucura – assumiu Roah assustado.
            - E é! Heliot enlouqueceu há muito tempo atrás. No tempo que convivi com ele como seu aprendiz, descobri que Heliot era amigo de um mago, que deu esse baú a ele. Ele acha que é um Deus para esse mundo, e que pode criar a vida, mas na verdade ele apenas esta prendendo as almas nesses bonecos de madeira. Temos que livrá-las. – disse o rapaz de forma convicta.
            - Mas por que então ele deixaria seu precioso mundo comigo?                       
            - Para que você preserve o mundo que ele criou. Ele sabe que morrerá, e quer também fazer parte deste mundo. O boneco que dorme, acordará quando ele morrer...
            - O boneco com aparência de nobre...
            - Sim, ele quer reinar em seu próprio mundo. Ele já criou um vínculo com aquele boneco, e quando morrer em nosso mundo, sua alma vai ser transferida para esse boneco. Mas para viver para sempre, ele precisará de artesões que zelem pelo baú e façam a manutenção de seu mundo de madeira por muitas e muitas gerações. Por esse motivo, ele nunca lhe contaria a verdade...
            - Vinuto, isso tudo faz sentido – assumiu Roah estarrecido. - Mas não vi maldade em Heliot. É difícil acreditar que aquele senhor cause algum mal...
            A conversa foi interrompida por gritos desesperados e sinais de correria do lado de fora da cabana de Roah.
            - Rápido, esconda-se – falou Roah para o rapaz, que tratou de seguir a orientação o mais rápido que pôde. – Vou ver o que esta acontecendo.
            Roah saiu de sua cabana e percebeu que a vila estava sendo atacada. Trolls invadiam a vila, e o desespero era total. Para ajudar os guerreiros que protegiam a vila, Roah e muitos outros moradores se armaram e partiram para a batalha. Após longos minutos de luta, os trolls foram vencidos.
            Roah ajudou na contagem dos mortos, e, perplexo, percebeu que o velho Heliot e alguns de seus dez guerreiros também haviam participado da luta ao ver os corpos inertes jogados ao chão. O velho artesão estava morto.
            Num estalo, Roah imaginou que talvez Vinuto estivesse se aproveitando do momento para fazer algo sem seu consentimento com o baú. Correu até sua cabana, e viu que o baú continuava fechado, e Vinuto, escondido.
            - Vinuto?! Pode sair...
            Ele apareceu, e ficou assustado ao perceber que Roah havia participado de uma batalha. Sua condição atual demonstrava isso. Receoso, o rapaz perguntou:
            - O que aconteceu?
            - A vila foi atacada por trolls – respondeu Roah, dirigindo-se para o baú, e abrindo-o sem pestanejar.
            Vinuto aproximou-se e, sem entender, apenas observou Roah tentar encontrar o boneco que deveria estar dormindo, mas não estava. O boneco que parecia um nobre estava andando pelo vilarejo de madeira, aparentemente dando ordens e organizando as coisas. Vinuto olhava assustado.
            - Pelo que vejo, você disse a verdade – assumiu Roah. - Heliot acaba de morrer, atacado pelos trolls. E o boneco acaba de ganhar vida, e está, aparentemente, reinando no mundo dos bonecos.
            - Eu lhe disse! – afirmou Vinuto.
            - Bem, acho que não temos saída – falou Roah após um longo suspiro. - Precisamos livrar as almas.
            - Precisamos! – concordou Vinuto, virando-se para Roah. – Creio que se tirarmos eles do baú e fecharmos a tampa, eles estarão livres...
            - Heliot me disse que eu nunca deveria fechar a tampa quando algum boneco estivesse fora do baú, pois eles perderiam a vida. Faz sentido deduzir que isso libertará as almas – concordou Roah.
            - Vamos experimentar com um deles – disse Vinuto animado.
            Sem pestanejar, Roah pegou um dos bonecos na mão, retirou-o do baú e colocou-o sobre a mesa. O boneco tinha a aparência de um simples camponês.
            - Vamos ver o que acontece – disse o artesão calmamente, fitando o boneco com atenção enquanto fechava o baú.
            Imediatamente após a tampa se fechar, uma fumaça branca saiu do boneco e encheu o teto do aposento. Um vulto pareceu tomar forma em alguns momentos dentro daquela densa e agitada fumaça. Ao longe, a palavra obrigado pode ser ouvida. A fumaça ficou rodopiando alguns segundos sobre a cabeça dos dois até sumir vagarosamente.
            Os dois se entreolharam espantados.
            - Deu certo! – disse Vinuto animado. – Deixe eu tentar...
            Vinuto abriu a tampa, pegou um outro boneco, com aparência de ferreiro, retirou-o do baú e ficou olhando para ele.
            - Feche a tampa, Vinuto – pediu Roah ansioso.
            Vinuto baixou a tampa. Novamente a fumaça surgiu, o vulto agradeceu e desapareceu na sequência.
            Roah e Vinuto sorriram. Roah abriu novamente o baú e começou a vasculhar o mundo, retirando todos os bonecos de humanos e animais que encontrava. Todos com exceção de um. O boneco que havia ganhado vida após a morte de Heliot.
            A quantidade de bonecos que Roah encontrou era imensa. A pilha que foi formada em cima da mesa era enorme. Havia centenas deles ali. Centenas de almas inocentes aprisionadas.
            Depois de certificar-se que todos os bonecos estavam fora do baú, exceto o de Heliot, a tampa foi fechada.
            A cabana foi inundada pela fumaça que saiu dos bonecos. Incontáveis vultos voavam freneticamente ao redor de Roah e Vinuto, enquanto vozes murmuravam palavras de agradecimento e felicidade. Após alguns segundos, elas se foram.
            - Está feito... estão todas livres – disse Vinuto sorrindo e sentindo que cumprira sua missão de libertar as almas.
            - Graças a você, Vinuto. – disse Roah, também sentindo-se feliz.
            - E quanto ao boneco de Heliot? – perguntou o rapaz.
            Roah olhou para os bonecos empilhados em cima da mesa, e disse:
            - Ele tem que pagar pelo que fez. Vai ficar sozinho em seu mundo, com todos esses bonecos sem vida. Vamos colocá-los lá dentro para ele ver que eles não mais possuem almas aprisionadas. – falou decidido o artesão.
            - Isso mesmo! Ele deve ver que seu plano de reinar neste mundo de madeira não deu certo no final – falou Vinuto sorrindo e esfregando as mãos de forma animada.
            Eles abriram o baú e começaram a colocar todos os inertes bonecos lá dentro, deitados um ao lado do outro. O boneco com aparência de nobre se aproximou dos bonecos imóveis, e ficou apenas observando.
            Assim que acabaram de devolver todos dentro do baú, Roah e Vinuto ficaram observando o boneco de Heliot. Ele se dirigiu até o boneco de camponês que Roah livrara primeiro, pegou-o, e carregou-o para dentro de uma das cabanas, colocando-o deitado sobre a pequena cama de madeira. O boneco de Heliot voltou para onde todos os outros bonecos estavam deitados, e pegou outro, o mesmo que Vinuto livrara, com aparência de ferreiro, levando-o a seguir para a pequena casa de ferreiro e colocando-o também deitado sobre uma cama.
            - Será que ele vai colocar todos nas suas cabanas? – perguntou Vinuto, olhando entretido.
            - Possivelmente – deduziu Roah, que também assistia animado.
            Mas para surpresa dos dois, não foi o que o boneco de Heliot fizera. Ele simplesmente levara todos os outros bonecos, um a um, para o cemitério do mundo de bonecos de madeira, colocando-os dentro das pequenas covas. Depois disso, Heliot voltou para o vilarejo e sentou em seu pequeno e detalhado trono.
            Roah e Vinuto perceberam que Heliot lá ficaria, aguardando para reinar sobre dois bonecos: o camponês e o ferreiro, que provavelmente ganhariam vida quando Roah e Vinuto morressem.
            Os dois não tiveram dúvidas, sem demora, retiram o boneco com aparência de nobre de dentro do baú, e fecharam a tampa.
            A fumaça que saiu deste boneco era negra, e não branca como as demais. O vulto que às vezes se formava parecia querer agredi-los. E não foi “obrigado” que foi murmurado, mas sim “malditos”, um pouco antes da fumaça desaparecer por completo.
            Para acabar com qualquer chance dos dois habitarem o mundo de madeira assim que morressem, Roah e Vinuto tiraram os bonecos com aparência de camponês e de ferreiro, e todos os demais de lá de dentro. Acenderam a lareira da cabana, e queimaram tudo. Primeiro os bonecos, depois, o baú mágico. Como deuses impiedosos, gargalhavam ao ver o fim do mundo dos bonecos de madeira.

Fim

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